janeiro 06, 2008

Tempo di Viaggio: Nostalghia (2)

A sequência italiana de Andrej Tarkovszkij e Tonino Guerra em Tempo di Viaggio termina nas colinas da Toscana, na província de Siena, nas termas de Bagno Vignoni, na bruma que de manhã se levanta da piscina de Santa Caterina da Siena.

Tonino, sobre essa busca de Nostalghia, e sobre as imagens que essa busca e o seu encontro possibilitou, escreverá:

«We travelled extensively from Naples soutwards, where he was struck by the beauty of the Baroque architecture of Lecce and the vision of Trani Cathedral. By the time we finnaly arrived Bagno Vignoni , the ideas for the structure of a film were entwined aroud a story he liked. I remember when we entedred the little church on the edge of the water-filled square, wher mist rising from the water gave a sense of distance to the landscape of ancient houses. The warm light that morning streamed through the dusty windows and came to the rest on faded decorations on a wall. He surprised me sitting on a pew, as though I were just the right shadow to accentuate the caress of the sun on the walls beyond my dark body.

These images leave with us a mysterious and poetic sensation, the melancholy of seeing things for the last time. It is as though Andrey wanted a swift way to pass on his own enjoyment to others. They are something to be shared, not only a method of making is own wish to stop time come true. And they feel like a fond farewell.» (Tonino Guerra in A Fond Farewell. Instant Light - Tarkovsky Polaroids. Edited by Giovanni Chiaramonte and Andrey A. Tarkovsky. London: Thames & Hudson, 2004). Tarkovszkij, por sua vez, registará no seu Diari: Martirologio, a 26 de Abril de 1980, o que efectivamente seria a formatação da ideia previamente concebida no seu espírito, como se o local finalmente descoberto para a sua Nostalghia, e, no fundo, para aquela outra nostalgia, ou para as várias nostalgias latentes, fosse, já de si, uma alteração, mental, dele próprio, enquanto local original e real, e, por isso, uma imagem artística construída a partir de elementos factuais, mas aberta a todas as possibilidades:

«The first half of the film will problably be set in Bagno Vignoni. But not in the real place - in an invented one. Where there is only the pool, and everything is dilapidated, more intimate, more provincial. From the very beginning, everything will take place near the pool by the hotel. Therefore I shall have to recreate the atmosphere of the place in detail.»

O que nos leva a interrogar-mo-nos sobre o processo de criação e sobre a relevância das imagens e da sua procura, mesmo que apenas matizadas interiormente e completamente autónomas da realidade, ou seja, a relevância para a imagem e criação artística entre o que é do domínio do inconsciente e do consciente. Acompanhemos Andrej, de novo, agora em Time Within Time: The Diaries 1970-1986, na entrada correspondente a 3 de Julho de 1975:

«How does a project mature? It is obviously a most mysterious, imperceptible process. It carries on independently of ourselves, in the subconscious, crystallizing on the wall of the soul. It is the form of the soul that makes it unique, indeed only the soul decides the hidden ´gestation period` of that image which cannot be perceived by the conscious gaze».

E o que é uma imagem artística?:

03.Fev.1974: «An artistic image is one that ensures its own develpment., its historical viability. An image is a grain, a self-evolving retrocative organism. It is a symbol of actual life, as opposed to life itself. Life contains death. An image of life, by contrast, excludes it, or else sees in it a unique potential for the affirmation of life. (...) Whatever it expresses - even destruction and ruin - the artistic image is by definition an emboyment of hope, it is inspired by faith» ( Time Within Time: The Diaries 1970-1986).

E que Nostalghia ou nostalgias imanam da imagem artística? Tarkovszkij encerra, agora em Sculpting in Time:

«The image is not a certain meaning, expressed by the director, but the entire world reflected as in a drop of water.»

E voltamos ao início: de uma imagem, de um Tempo di Viaggio, ou de uma viagem ou viagens, e de uma geografia latente, pode partir-se para a busca de um sentido, de uma nostalgia, mesmo já interiorizada anteriormente, e, se quisermos, para a realização e significado de uma arte aí encontrada ou produzida. Num instante de luz.

Passagem: Luce Istantanea; Tarkovsky Polaroids

1 Comments:

Blogger Rui Luís Lima said...

"Nostalghia" é um dos mais belos filmes de Tarkovsky, o primeiro feito no Ocidente, quem viu o filme no cinema ficou de certeza com ele na memória, porque as suas imagens são inesqueciveis.
abraço cinéfilo
paula e rui lima

10:42  

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